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Um encontro esperado

    Hoje recebi um e-mail de um amigo. Em anexo ele enviou uma contribuição ao Blog, um texto um tanto depressivo. Uma história intrigante e intensa... Então, resolvi publicar aqui no blog. Este amigo leu meu blog na distante Iraí e se sentiu motivado a escrever. Gostei da interação e espero mais contribuições dos amigos... Afinal, é difícil escrever todos os dias. Obrigado Victor.


Por Victor Hugo Vidal
   
     Chove. Chove muito. Tudo em volta esta alagado. Minha vida é um rio caudaloso. Não consigo vislumbrar nada. Às vezes vejo um sofá boiando, uns pneus velhos, muitas garrafas plásticas... Minha vida é o rio que corta esta rua.
     O rio começa a subir, chove muito. Mas eu não tenho forças para nada, nem para lutar pela minha vida. Talvez tenha que mudar completamente, mas sempre faço as mesmas coisas. Chove lá fora.
     Quando chove tenho que levantar todas as coisas em casa, é assim desde sempre. uando chove fico em alerta. Mas hoje não tenho forças para nada. Muito menos tentar salvar coisas materiais.
     Ouço vozes gritando para que eu saia de casa, mas não quero mais lutar, cansei de sempre tentar. Lutar como nunca e ser derrotado como sempre. Chove cada vez mais forte, não tenho forças. As vozes estão mais fortes, parece que estão gritando aqui dentro, não quero ouvir mais nada. Cansei de tudo que me cerca. Cansei de todos que me cercam.
     - Sai da aí, o rio esta enchendo muito rápido. Luiz, deixa de ser louco...
     Eles não entendem, deixei de ser louco faz tempo. Não entendem que este rio sou eu. Nunca estive mais lúcido na vida. Chove torrencialmente. Algumas goteiras começam a surgir.
     - Luiz... Luiz, vem para a rua, aqui está mais seguro.
     Como assim mais seguro? Não tenho segurança, não tenho esperanças, não tenho mais nada. Nem esta vida me pertence. Por que lutar por ela, se não há um mínimo sentido em viver. Começo a sentir a água invadir minha casa. Vou ficar deitado nesta cama. Lembrou do seu único amor. Mas mesmo este amor já se foi. Passou como este rio teima em seguir o seu fluxo.
     A chuva se transformara em tempestade. Nenhuma voz se ouve, somente o som do vento forte, destelhando casas, revolvendo a terra. Será que estava levando para longe todas as tristezas da vida? Não. Não era isso. Luiz começou a lembrar de todas as tristezas pelas quais passou na vida. Parecia que o vento trazia todas elas de volta, até mesmo a mais esquecida tristeza se fazia novamente presente. Não bastavam as tristezas atuais, agora as tristezas de uma existência estavam todas lá, mostrando sua triste face...
     A chuva era cada vez mais intensa, parecia que os dias de uma existência tinham passado todos num instante, parecia que nunca mais o sol venceria aquelas nuvens, somente chuva e vento... O som da chuva lembrava rajadas de tiros. Cada gota acabava com algum tipo de esperança. Cada gota estilhaçava sua vida. Não restava mais nada.
     A chuva parou de uma hora para outra. Para a tristeza de Luiz ele continuou a sina de esperar a morte chegar. Quando  ela chegar com certeza será bem recebida por Luiz que dirá:
     - Que bom que você chegou, lhe espero há muito tempo. Você não nega sua fama. Sempre chega na hora errada. No meu caso você deveria chegar muito anos antes, mas não deu o braço a torcer, você nunca se rende, sempre é do seu jeito, na sua hora. Mas vamos logo com isso e me tira deste inferno que é a vida...

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