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Estado de Violência


     Carrego comigo a impressão de que vivemos no limiar entre o cotidiano normal e a violência extrema. Tenho a impressão de que apenas uma fagulha é capaz de acabar com este estado normal de nossas vidas. Os exemplos estão por todos os lados. O mais recente se refere à violência ocorrida em Londres. Esta onda de violência mais uma vez foi acarretada por uma morte inexplicável de um jovem provocada pela polícia. Veja o resumo dos acontecimentos: Saques e violência se espalham por Londres em segunda noite de tumultos.
     Este fato não é isolado muitos outros já ocorreram, lembro dos distúrbios em Paris em 2005, mais atrás nos anos noventa em Los Angeles e agora estes em Londres. É óbvio que a violência está latente em nossa sociedade, a insatisfação está em todo lugar à espera do estopim para provocar ondas de violência.
     As condições de vida são péssimas para a grande maioria da população, enquanto que uma minoria vive num luxo nunca visto antes na história da humanidade. Até quando as pessoas que não foram convidadas para esta festa irão suportar olhar tudo de longe? Ou pior, contribuir para este luxo, mas serem impedidas de vivenciá-lo? Não tem como um sistema assim funcionar. Não tem controle social que mantenha estas pessoas passíveis.
     Os fatos ocorridos em Londres são significativos, como os demais exemplos de explosão social. Se comportamentos não forem alterados veremos cada vez mais estas violências extremas. Mas será possível alterar este Estado de violência latente? Acho que sim, é apenas uma suposição e não uma certeza. Uma ideia simples que me ocorre é começar uma divisão de riquezas, não me refiro a dividir pura e simplesmente, mas sim estimular que todos tenham um nível de conhecimento razoável para que possam crescer pelas suas própria forças. Todos afirmam que a educação é o único caminho, se os detentores de grandes fortunas criassem uma instituição mundial para estimular ações voltadas à educação, isto seria um início de solução. Não poderia teria nenhuma ligação com governos, uma instituição puramente privada que proporcionassem a países pobres ou em desenvolvimentos programas educacionais. É uma solução a longo prazo, é verdade, mas é um caminho a ser trilhado, não o único. É apenas uma parte da solução, mas uma parte importante.
     Nos anos sessenta a solução procurada era da guerrilha rural. Por algum tempo também professei esta solução, mas hoje vejo que não temos mais espaço para aquele tipo de ação extrema. Se por outro motivo não fosse é porque deixamos de ser politizados. Deixamos de lado o pensar para nos preocupar com o consumir. Fomos estimulados a isso, o sistema criou apenas consumidores e deixou de lado os questionadores... Pensar atrapalha a sociedade de consumo. Pensar atrapalha quem quer somente seres automatizados. Seres automatizados são mais facilmente controláveis, são consumidores satisfeitos com novidades tecnológicas ou algum circo proporcionado pelo Estado.
     Os limites estão sendo testados constantemente. A cada dia somos forçados a dar um pouco mais de suor. A cada dia somos triturados mais um pouco. Em algum dia não sobrará nada de nós. Antes disso penso que haverá o rompimento total deste tecido social. Já disse que é tênue a linha que mantém todos nós cooperando com esta máquina chamada sociedade moderna. Não quero estar perto quando isso acontecer. Espero sinceramente que encontremos um jeito de vivermos em sociedade, onde todos tenha a sua parte, onde todos possam viver uma vida digna. Só isso que desejo, nada mais... Atualmente parece um sonho inatingível. Espero um dia testemunhar o alcançar deste sonho. Temos que lutar por isso, não cairá do céu. Talvez estes rompimentos sociais sejam um começo. Talvez não. Mas como esta não dá para continuar.

     
    


Comentários

  1. Detencion Camp, is necesary.

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  2. Caro LedVenture, considero seus textos muito bons e gostaria de lhe apresentar um outra versão dos acontecimentos, o outro lado da moeda baseada no questionamento.

    Visite o fórum para discutirmos:

    http://forum.antinovaordemmundial.com/

    Abraço!

    Rodrigo (Comunicado Interno)

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  3. violencia que se faz necessaria. chegamos no limiar dos tempos. os animos estao fumegantes de caos. caos esse que reestabelecera a ordem ao mundo. nao essa ordem que se impoe sob forca, repressao, miseria de povos. mas igualdade pela humanidade de que todos somos partes. a quem ficar parado que pense em apocalipse, mas a quem se mexe sabe como a agua que tudo muda.

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  4. ponte rio guaíba – texto de augusto nunes
    9 de agosto de 2011

    Há uma semana, o governo da China inaugurou a ponte da baía de Jiaodhou, que liga o porto de Qingdao à ilha de Huangdao. Construído em quatro anos, o colosso sobre o mar tem 42 quilômetros de extensão e custou o equivalente a R$2,4 bilhões.
    Há uma semana, o DNIT escolheu o projeto da nova ponte do Guaíba, em Ponte Alegre, uma das mais vistosas promessas da candidata Dilma Rousseff. Confiado ao Ministério dos Transportes, o colosso sobre o rio deverá ficar pronto em quatro anos. Com 2,9 quilômetros de extensão, vai engolir R$ 1,16 bilhão.
    Intrigado, o matemático gaúcho Gilberto Flach resolveu estabelecer algumas comparações entre a ponte do Guaíba e a chinesa. Na edição desta segunda-feira, o jornal Zero Hora publicou o espantoso confronto númerico resumido no quadro abaixo:

    Os números informam que, se o Guaíba ficasse na China, a obra seria concluída em 102 dias, ao preço de R$ 170 milhões. Se a baía de Jiadhou ficasse no Brasil, a ponte não teria prazo para terminar e seria calculada em trilhões. Como o Ministério dos Transportes está arrendado ao PR, financiado por propinas, barganhas e permutas ilegais, o País do Carnaval abrigaria o partido mais rico do mundo.
    Depois de ter ordenado o afastamento dos oficiais, aí incluído o coronel do DNIT, Dilma Rousseff parece decidida a preservar o general. “O governo manifesta sua confiança no ministro Alfredo Nascimento”, avisou nesta segunda-feira uma nota da Presidência da República. “O ministro é o responsável pela coordenação do processo de apuração das denúncias feitas contra o Ministério dos Transportes”. Tradução: em vez de demitir o chefe mais que suspeito, Dilma encarregou-o de investigar os chefiados.
    Corruptos existem em qualquer lugar. A diferença é que o Brasil institucionalizou a impunidade. Se tentasse fazer em outros países uma ponte como a do Guaíba, Alfredo Nascimento e seus parceiros saberiam que o castigo começa com a demissão e termina na cadeia.

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  5. Aqui em Paris duas leituras sao fundamentais, Le Monde e Ledventure.

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  6. Exoman diz:

    O Sr. Darcus quis falar sobre a violência na "Terra Média", não deixaram, não "encaixava" na matéria:
    .
    http://www.youtube.com/watch?v=SQ6eI-XWPrM
    .
    Trilha sonora: http://www.youtube.com/watch?v=NumcUdNMQjk

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