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Os excluídos da festa

     Diante deste texto não tenho o que falar, somente fazer minhas as palavras do colaborador Carlos Engels da distante Pato Branco. Sugiro também a leitura do post do dia 20 de setembro - Licenças Poéticas, talvez entendam a contribuição dos leitores deste blog. Caso não entendam, atentem para a mensagem deste texto. Boa leitura a todos e todas. Obrigado, Carlos Engels.

Por Carlos Engels

     A vida é uma consequência de tudo que fizemos. Certo? Errado. Pelo menos tenho a impressão que não é bem assim. Muitas pessoas fazem tudo certo, estudam, se dedicam em seus empregos, dão o melhor de si e mesmo assim vivem uma vida de ilusões e insatisfações. Como explicar isso? Como dizer que muitas vezes o imponderável é o que rege nossas vidas?
     Alguns afirmam que este é o encanto da vida. Acho que este fato é a M. da vida. Neste imponderável reside a justificativa para tudo que vivemos a nossa volta.
     Realmente custo a entender que o esforço de muitos não se reflita em suas vidas. Como aceitar que um trabalhador que acorda as quatro da manhã, perde no mínimo duas horas e meia entre sua casa e o trabalho e após esta Via Crucis trabalha outras 10 horas. E, na volta, perde mais duas horas e meia para chegar em casa. Como aceitar que este esforço sobrenatural seja "recompensado" com um salário mínimo? Se observarmos este trabalhador, ou melhor, este escravo, muitas vezes encontraremos um homem ou mulher que estudou tanto quanto nós. Poderemos encontrar alguém que tenha se esforçado muito mais do que nós. Nos deparamos com pessoas que têm o seu destino regido pelo imponderável.
     Não há explicação crível para estes fatos. A religião poderia ser um porto seguro e ajudar a entender tudo que nos cerca. Poderia, mas não é. Com o máximo respeito, penso que a religião é mais uma forma de manter a vida como ela é, sem revoltas ou questionamentos. Somente isso. Uma forma muito ardilosa de manter os explorados suportando uma  vida de privações. Muitos outros artifícios são utilizados com esta mesma finalidade, como por exemplo a televisão, os esportes, as festas populares, enfim, milhares de pequenos deleites para que a vida continue como é.
     Hoje ao acordar, mais uma vez me vi questionando tudo que nos cerca, mas como já escrito pelo blogueiro Ledventure, me sinto como um revolucionário de playground. Não faço nada para mudar tudo isso que nos cerca. Mas parece que alguns estão saindo deste grande playground e protestando contra decisões governamentais que nos fazem pagar a conta de mais uma crise internacional. Aliás, não fomos convidados para a festa, mas somos chamados para limparmos o salão. Quando os bancos estavam ganhando dinheiro a rodo, vivendo de lucros fictícios, de empréstimos sem lastro ou então, as bolsas de valores com lucratividade estratosféricas, vivíamos à margem desta festa. Olhávamos desconfiados de que um dia tudo poderia ruir. Mas os entendidos da matéria alardeavam que "as coisas" estavam firmes e que continuaria  assim por muito tempo. Mas o muito tempo durou pouco e agora aqueles que estavam de fora estão entrando para limpar o salão. Este é o capitalismo, explora tudo que dá e quando começa a fazer água, chama os governos para dar colo. E ainda convoca os explorados para dar mais uma parcela de sacrifício.
     Então era isso, vamos todos nós nos sacrificar mais um pouco para quem sabe num futuro não tão distante os mesmos comecem a desfrutar de uma vida melhor. E quanto a nós, continuaremos a suportar os mesmos sacrifícios diários de uma vida sem futuro.

Comentários

  1. A constatação do texto é triste mas verdadeira. O que fazer quando não nos resta mais esperança? Levar ao menos uma " vida menos ordinária?"

    " Anonimo"

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