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Ocaso!

    Faz muito tempo que não entro aqui para escrever. Aliás, faz muito tempo que não acesso o blog. Ele está em um processo de hibernação. Quase uma vida mantida por aparelhos.
    O motivo? Talvez o ocaso do LedVenture esteja próximo.Gosto da palavra ocaso. Me faz pensar em um caso qualquer, uma história qualquer que será contada. É o tipo de palavra que o som te carrega a muitos lugares e situações. Mas voltado desta pequena digressão, o LedVenture sempre foi um personagem vivido por este blogueiro neófito. Um personagem que por breves momentos adquiriu vida própria. Um personagem que ultrapassou os limites da ficção e viveu algumas experiências muito interessantes. Outras nem tanto.
     Cruzam ambulâncias aqui perto, correndo não sei para onde, talvez para acudir este blogueiro, talvez não... As ambulâncias passaram e a vida volta ao normal por aqui, não me acudiram. Parece que não foram chamadas para me atender.  Na verdade não preciso mais seguir como LedVenture,  na realidade não preciso mais escrever, não corro o risco de enlouquecer. Percebi que a loucura sempre será bem recebida por mim. Uma loucura responsável, se é que é possível ser responsável e louco. Nunca fui muito louco nem muito responsável. Sou igual a muitos que vivem a vida de todos os dias. Todos vivemos esta vida que nos é imposta por tudo e todos que insistem em nos cercar. Temos pouco ou quase nenhum arbítrio.
     Alguns mais apressados podem gritar e dizer que possuímos  a liberdade de fazer o que desejarmos de nossas vidas. Será? Será mesmo que podemos controlar as rédeas desde bicho? Eu acredito que não. Basta começarmos a viver e ter uma certa responsabilidade que na mesma hora perderemos o controle. No primeiro financiamento assinado (quem não os tem?), na primeira folha da CTPS assinada, no primeiro carnê com mais de 12 prestações ou no primeiro casamento abrimos mão do controle de nossos destinos. Vivemos como se estivéssemos em um ônibus onde não sabemos quem decide para onde ir (talvez o motorista), onde parar, que velocidade andar, se as janelas podem ser abertas ou não. Parece que todos decidem por nós.
     Chega um momento que cansamos daquele ônibus, trocamos por uma bicicleta (bike estou evitando nestes últimos tempos), carro, moto ou avião, mas nada muda. Continuamos não decidindo sobre nossos destinos. E é assim mesmo. A vida nos leva, temos, por vezes a ilusão que possuímos o direito e o poder de mudamos nossas vidas. Doce ilusão. Podemos até mudar radicalmente a nossas vidas. Trocarmos a segurança de um emprego (seja a tão sonhada CTPS assinada ou a segurança enfadonha de uma repartição pública) por uma vida à beira-mar, talvez cuidando de um quiosque. Os anos passam e quando nos damos conta estamos querendo ampliar o negócio, expandir os lucros, abrir um outro quiosque na praia ao lado. E de uma hora para outra nos vemos rodeados de carnês, funcionários, sócios, gerentes de bancos, enfim, tudo que tentamos fugir quando "mudamos" de vida.
     Na verdade não há escapatória. Ou vivemos a vida que nos impõem ou simplesmente não vivemos. Claro que existem casos de pessoas que conseguiram deixar de lado esta vida de todos os dias. Quem consegue deixar de lado esta vida imposta por não sei o que ou quem são as respeitáveis exceções. Como exceções, somente confirmam a regra.
     Fazia tempo que não escrevia no blog, fazia tempo que não parava para pensar em tudo que está a minha volta. Questionar a vida imposta coloca em perigo o equilíbrio tênue de todos os dias e passamos a caminhar em uma espécie de corda bamba, e ao olharmos para baixo tudo perde sentido. Sofremos as consequências deste pensar. Quem não quer sofrer qualquer riscos que volte para o colo da mamãe e fique somente assistindo o programa do momento, consultando sua Timeline ou quem sabe curtindo a fotinho do Instagram.
     Se quiser pensar, aguente os risco.


PS: Sempre escrevo sobre as mesmas coisas. Estes dias ouvi uma entrevista de um escritor que disse mais ou menos o seguinte "escrevo o mesmo livro nos últimos 40 anos". Eu não sou nenhum escritor mas sinto que escrevo sempre sobre o mesmo assunto. Talvez seja o momento de mudar. Ainda bem que só eu leio o que é escrito aqui. Ainda bem.


Trilha sonora:

Hoje não escrevi com música, o ambiente não permitia.
Mas se tivesse uma trilha com certeza teria Santa Maria (Del Buen Ayre)

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