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Mostrando postagens de 2014

Noite

Otávio mora há mais de 10 anos no mesmo apartamento. Conhece do avesso aquele lugar. Dia após dia entra pela mesma porta. Dá exatamente duas voltas na fechadura. Encontra o mesmo quadro quando abre a porta. Coloca a chave na mesma mesa. Dá uma olhada nas contas e senta na mesma cadeira da sacada para fumar um cigarro sem gosto. Sempre do mesmo jeito. Sempre no mesmo horário. A cada início de noite a solidão mexe com sua cabeça. A fumaça o envolve de uma forma  tal que tudo a sua volta desaparece. O ritual é mesmo noite após noite.

    Naquela noite a vizinha está sentada na sacada ao lado. A luz está apagada e ela divaga sobre o dia que passou. Espera do vizinho metódico. Naquele dia nada que lhe cercava dera certo. Mais uma vez. Só lhe restava espiar a rotina de sempre do vizinho sem nome enquanto espera o seu banho relaxante. Na hora de sempre ele chegou ao seu apartamento. Ouve ele fechando a porta, dá exatamente duas voltas na fechadura da porta. Como aquele cara era previsív…

Hoje e não ontem

Nunca entendi a pressa do mundo. Tudo é para ontem. Parece que estamos sempre atrasados. Mas atrasados para fazer o quê? O que deveria ser feito e não foi? A velocidade da vida sempre é tão acelerada, tão desesperada para passar. Todas estas perguntas estavam ao meu redor, me pressionando de uma forma ou outra.
     Nos últimos meses passei a viver num ritmo bastante lento, a pressa cedeu passagem à calmaria, à reflexão, me dedico de corpo e alma ao dolce far niente. O que passamos por vezes se reveste de falta de significado, parece sem sentido. A vida apressada que levamos não permite que nos aprofundemos na busca do sentido de tudo que vivemos.       Quando somos forçados a refletir, seja por qual motivo for, talvez a morte de alguém querido, a passagem por uma situação limite, a perda de um grande amor, enfim, os motivos são infindáveis para darmos um tempo a esta vida louca que nos impõem desde que nascemos. Quando o momento da parada chega nos deparamos com um outro mundo. …