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Mostrando postagens de Abril, 2013

Chacina diária e silenciosa

Viajar de carro pelo Rio Grande é testemunhar uma chacina. A cada curva ou reta encontramos um animal morto ou agonizando em meio as rodovias. É cada vez maior o número de animais mortos nas nossas rodovias. Nas minhas férias cruzei o Rio Grande de norte a sul. Perdi as contas dos animais atropelados pelos quais cruzei. Outra coisa que me chamou a atenção foi que ao cruzar a fronteira com o Uruguai não encontrei nenhum animal morto na estrada. Nestes anos que vou para o Uruguai não me lembro de encontrar algum animal morto nas estradas. Pode ser apenas uma impressão minha, mas o fato é este. No Brasil muitos animais mortos, no Uruguai nenhum. Não sei o porquê. Mas o fato é este.
     A cada animal morto sinto uma dor inexplicável. Eu mesmo desviei de um deles, evitei o atropelamento daquele animal. Mas muitos não têm esta sorte, muitos agonizam no meio da estrada.
     Não sei qual a solução para este morticínio, mas me parece que devemos diminuir a velocidade nas estradas. É óbv…

Mais uma vez... por que escrever

Por que escrever?
     Por que se expor através das letras?
     Por que dispender algum tempo para transpor a inércia e expressar sentimentos sem sentido em um blog?
     Por que mostrar-se, sem máscaras ou outro subterfúgio?
     Estas perguntas sempre surgem dentro de mim quando me proponho escrever. Claro que poderia escrever e guardar em algum caderno, dentro de uma esquecida gaveta ou salvar em algum arquivo em um HD qualquer. Mas vivemos outros tempos. Não guardamos mais nada em gavetas, apenas na nuvem.  A nuvem é a gaveta de nossos pais... Mas estas perguntas não são respondidas facilmente. Não é possível encontrar uma resposta.
     Não encontro uma razão para escrever, como não encontro uma razão para não escrever... enquanto sentir algum prazer irei escrever. Sinto prazer em sentar e pensar em algo. Não me importo se será lido ou não. Já me importei. Agora é apenas prazer. Começo a escrever sem um rumo certo (sei que é um erro, por isso por vezes é tão confuso o que e…

Virar a página

Um dos prazeres da leitura é ir virando as páginas e ser surpreendido.
     Mesmo quando o livro é ruim este virar de páginas é bom, pois aí o fim está próximo. Quando o livro é bom este prazer é muito maior, queremos descobrir os desdobramentos propostos pelo autor, imaginamos, sonhamos e vivemos tudo que está escrito e que vai surgindo a cada novo vislumbrar de página.
     Assim também é a vida. É preciso virar a página. Seguir em frente para ser surpreendido com o que surgir e não ficar parado naquela página.
     Virar a página é necessário, caso contrário marcamos passo. Marcar passo é para os soldadinhos do passo certo. Não sou soldadinho e muito menos do passo certo. Viro a página e sigo em frente. Com certeza as páginas que virão serão muito boas... As que passaram foram boas, algumas tristes, mas quem está comigo sabe que vale a pena seguir em frente, mesmo quando não estamos vivendo uma parte legal da história. Mas o interessante é que quando seguimos em frente o cami…

Quase nada

Por muito tempo carrego a impressão de que as palavras não comportam a vida por inteiro.
     Não é possível expressar através das letras os vastos sentimentos que experimentamos. Um deles a amizade. Não consigo transpor em palavras todos os sentimentos que envolvem a amizade, seja qual for o tipo de amigo a que se refira o substantivo feminino.
     Por isso, talvez, me tenha calado tão fundo um comentário feito no blog ontem (isso mesmo, alguém lê e ainda comenta neste blog escondido em algum ponto deste mundo virtual. O que não deixa de ser surpreendente). Pela manhã li o seguinte comentário: "A amizade também termina. Não, ela se transforma em nada".      Este comentário foi feito no post anterior Efemeridades. Aquela frase ficou martelando dentro de mim por algum tempo. Pensei algumas respostas, escrevi a minha resposta. A minha verdade, e somente isso. Mas há muito coisa a ser escrita sobre aquele comentário. Será que o Anônimo chegou ao limite das palavras e não …

Efemeridades...

O fim é efêmero. Entre tantas outras coisas.

     Pode parecer estranho, mas é, ou melhor, acho que é, deixei de ser definitivo com tudo que me cerca, minhas certezas ficaram pelo caminho. Ou melhor, minhas certezas eram efêmeras.   
     Sempre nos é imposta a ideia de que o fim  é definitivo, mas não é, nunca foi. Alguns dirão que a morte é o fim definitivo. Também não é. Nem me refiro à questão espiritual, onde muitos acreditam que a morte é uma passagem para outro plano, outras vidas. Não acredito muito, mas respeito profundamente. É questão de fé. Contra fé não há argumentos. Ou se tem ou não se tem e ponto final. Sem nova linha.
     Mas é inegável que a morte não é o fim, existe muita vida após a morte, basta olharmos um corpo em decomposição e lá estará a prova viva e morta de que a vida não termina, apenas apresenta outras formas de existência. Tudo que nos cerca e nós mesmos somos efêmeros, mas isso não quer dizer que somos finitos. Este é o centro da questão. É uma fo…