Pular para o conteúdo principal

Mais médicos, mais direitos, mais casas, enfim, mais qualidade vida.

     O Brasil de tempos em tempos se revela. Ou melhor, uma parcela de brasileiros revela-se, brasileiros que não aceitam um novo modo de enfrentar problemas, brasileiros que perderam o poder de mandar no Brasil.
     Nestes últimos dias estamos diante de uma manifestação do mais puro preconceito travestido de defesa de direitos de trabalhadores explorados. A batalha está no campo do trabalho de médicos no interior do Brasil. Primeiramente, foi oferecido aos médicos brasileiros a oportunidade de trabalharem naquelas regiões esquecidas por nós todos. Isso mesmo, lugares onde não vamos, não conhecemos, não temos interesse em conhecer. Se tivéssemos interesse, o Brasil já teria solucionado o problema de quem nasceu e vive nestes lugares. Interior do interior do Brasil. Onde não há resorts, grandes hotéis shoppings ou a presença do estado para dar atenção a brasileiros que teimam em lá viver.
     Muito bem, o Estado brasileiro (não importando que partido esteja lá) criou o programa Mais Médicos e poucos médicos brasileiros quiseram ou se dispuseram a ir a tais rincões, mais ou menos 1800. Em anos passados os governos diriam "que pena não temos médicos, paciência, um dia conseguiremos levar médicos para o interior do Brasil. Um dia."
     O Brasil mudou, mudamos nós (não todos) e não nos conformamos com tal silêncio ou nesta vã promessa de um dia levarmos médicos para todos os brasileiros. Queremos mais, precisamos de mais, gritamos nas ruas por mais. Não todos. O Governo brasileiro (reafirmo, pouco importando que esteja transitoriamente no governo, afinal, vivemos numa democracia) resolveu não fazer como sempre fizemos. Deu um passo adiante e ofereceu as vagas para médicos de outros países, tais como Espanha, Portugal, Argentina, Uruguai. E mais, ofereceu para Cuba. Mas quando se mencionou Cuba, os mesmos de sempre estrilaram. Gritaram o mesmo discurso atrasado e nefasto de sempre: "querem implantar o comunismo no Brasil", "querem transformar a nossa democracia na ditadura dos irmãos Castro" ou então, "querem transformar o Brasil numa grande Cuba, um Cubão latino". Ora, como se contratar médicos de Cuba tivesse o condão de alterar toda nossa história, como se médicos fossem os guerrilheiros treinados em Cuba nos anos 1960 e 1970 para espalhar a revolução socialista pelo mundo.
     Mas estes que gritam não querem ser enxergados como pessoas ultrapassadas, não têm coragem de assumir o que são, ou seja, pessoas que apenas querem manter o status quo vigente. São defensores de direitos para alguns e deveres para todos. Defendem suas castas, seja de médicos, advogados, farmacêuticos, servidores públicos, engenheiros, enfim, apenas defendem os seus direitos, ou como dizia uma pessoa muito querida para mim, "primeiro os meus Mateus". Defendem os seus depois,s e der, os outros...
     Os Lacerdistas dos tempos modernos erguem a bandeira da defesa dos direitos dos trabalhadores explorados pelo explorador governo brasileiro. Não querem que venham médicos, especialmente de Cuba, pois estes recebem seus vencimentos através do governo de Cuba. O Brasil deposita o valor numa conta do governo cubano e este repassa para os médicos cubanos. Simples. Quem vive num sistema como o de Cuba, gostemos ou não, têm uma outra visão de mundo, onde a pessoa está em primeiro lugar e não o dinheiro. Mas aqui, os mesmos de sempre defendem que o Brasil não mude, mas não querem assumir este papel, se travestem de defensores dos trabalhadores, atacam o programa Mais Médicos. Não vi estes "defensores de trabalhadores" erguerem a voz em defesa dos bolivianos ou peruanos que são "contratados" no Brasil em condições desumanas para produzirem roupas para grandes marcas internacionais. Mas aí não tem problema, pois a s roupas são usadas em festas da alta sociedade. Neste caso não há trabalho escravo. Como assim? Se não é trabalho escravo costurar roupas por 14 ou 15 horas por dia a troco de quase nada é o que? Diversão? Empreendedorismo? Oportunidade de mercado? Claro que é trabalho escravo? Por que não gritam e defendem estes explorados? Será que os médicos cubanos merecem mais atenção do que os escravos do ramo têxtil bolivianos ou peruanos?
     Mas ainda tem mais. Um representante do Conselho de Medicina de Minas Gerais chegou a orientar os seus associados a não ajudarem os médicos cubanos ou de outros países que vierem ao Brasil. Quando li aquela notícia não acreditei. Pensei que era exagero do jornalista, mas a notícia saiu em vários órgãos da imprensa nacional. Confesso que desanimei, mas na mesma hora percebi que era apenas a casta se revelando, protegendo direitos de uma categoria. Faz parte do jogo. Este jogo está sendo jogado deste 1500... agora os perdedores de sempre estão dando um basta e estão virando o jogo. Não é simples, não é isento de sofrimentos, mas estamos lutando por um novo Brasil, não importando quem esteja no governo, importa que faça o que tenha que ser feito para mudar o resultado deste jogo. Queremos que todos os brasileiros ganhem e não apenas a mesma casta.


PS: Os médicos cubanos atuam em mais de 58 países. Será que estes países exploram os médicos cubanos? Será que nestes países existe quem defenda os explorados médicos cubanos? Será? A respostas são claras... basta pensar um pouco. Por fim, ao formamos nossa opinião sobre a contratação de médicos do exterior é interessante lembrar daqueles que serão atendidos por estes médicos.

Trilha sonora:
Love is a losing game - Amy Winehouse - Back to black
Under My Thumb - Streetheart - Rock 70´s
Gimme Shelter - The Rolling Stones - Live Licks
Blinded By Rainbows - The Rolling Stones Voodoo Lounge
Hot Child in the City - Nick Gilder -  Rock 70´s
American Garage - Pat Metheny Group - American Garage
Don't Stop (Album Version) - The Rolling Stones  Four New Licks Promo CD
Can't You Hear Me Knocking -The Rolling Stones - Live Licks
Talisma - Vitor Ramil - A Paixao De V Segundo Ele Próprio
Loucos De Cara - Vitor Ramil - Tango
Só Você Manda em Você - Vitor Ramil - Tambong

Comentários

  1. Muito bom seu texto, bate de frente com o que eu penso, esta minoria elitizada mostra a sua cara no menor sinal de que vão lhes tirar da sua zona de conforto, deturpam valores, invertem situações, e tentam se fazer de vítimas e santos perante a opinião pública ( quem não os conhecem que os comprem ). Afinal nunca foi nenhuma novidade saber que para se formar médico em uma Universidade Federal por exemplo, deve ter quem banque, a começar pelo vestibular que é uma forma cruel de seleção, onde somente os bem preparados que tiveram a oportunidades de estudar nas melhores escolas, com os melhores professores, etc, conseguem a vaga, não tirando seus méritos de forma alguma, afinal de nada adiantaria tudo isso sem uma disciplina e vontade de vencer. Mas devido a este fato e tantos outros de cunho social acabou tornando a classe médica elitizada e burguesa com caráter de caça níquel, tendo raras exceções, a ponto de criar estes ridículos conselhos de medicina estaduais, a fim de defender os seus interesses, ou seja, deixa tudo como está que para nós está bom, mais médicos é mais concorrência, menos dinheiro a população é segundo plano, isto na visão do conselho de medicina, não vamos demonizar todos os médicos brasileiros sei que trabalham duro, também atendem pelo SUS salvam vidas fazem um excelente serviço, mas no momento que pisam no seu calo eles também mostram suas garras. Então parabéns ao governo que bateu de frente com tais conselhos de medicina e continuou firme em seu propósito de por a população a frente de interesses duvidosos, é desta maneira que vamos conseguir mudar este país. Eu também tenho um blog você já me visitou paulo-prado.zip.net

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Interaja com Ledventure...

Postagens mais visitadas deste blog

Os conflitos de Lucas

- Hoje você me disse que tudo estava acabado. Mas estamos aqui neste motel.
     - Não retiro o que te disse. Estar aqui é mais uma prova que o nosso amor acabou e que o único lugar onde ele ainda pulsa é aqui. O que é uma pena.
     - Mas ainda tem um lugar onde somos felizes.
     - Tu acha que felicidade é isso que vivemos? Se tu acha que isto aqui é felicidade, tenho que te dizer que você nunca foi feliz...
     - Eu aqui nos teus braços sou a mulher mais feliz deste mundo e isto é felicidade para mim.
     - Pois eu queria algo mais.
     - Lucas, tu é o primeiro homem que me diz isso, talvez por isso você seja tão especial.
     - Não sou especial, apenas quero ser feliz e formar uma família. Só isso, será que é pedir demais?
     - Com certeza para uma mulher como eu é pedir demais... Nem meu nome tu sabe. Só meu nome de guerra.
     - Como assim, tu não se chama Sharon?
     - Claro que não. Meu nome é comum e não combina com o que faço.
     - Então se revele, pelo menos…

"Como fazer sexo"

O Google a cada ano nos revela as trends, em nosso amado português podemos traduzi-lo como tendências. Ou no português mais nosso ainda são os termos mais pesquisados no ano. É interessante dar uma olhada para vermos como somos fúteis. No Brasil para se ter uma ideia o termo mais pesquisado foi o BBB13. Estamos reduzidos a quase nada. Ou um nada completo.
     Mas o que mais me chamou a atenção foi um o tal tópico de "Como fazer". São todas as pesquisas com tem como intenção descobrir como fazer determinada coisa e pasmem está em quarto lugar a pesquisa "como fazer sexo". Não acreditam, então acessem o link: Trends: Como fazer sexo. Fico imaginando a pessoa "googleando" antes daquela noite (manhã ou tarde) de sexo. "Já sei como fazer, mas quero dar uma recordada, hoje promete e não quero decepcionar". É o fim da várzea.
      Eu sei que o google faz parte da nossa vida, não nos vemos sem esta ferramenta dos tempos modernos, mas pesquisar c…

Vida em anacruse

Já escrevi vários inícios. Muitos refeitos ou deletados.
     Tentativas vãs. Ou melhor, tentativas desfeitas, mas não vãs, pois todas, absolutamente todas me ensinaram alguma coisa. Na verdade pouco importa, porque a cada início tudo se repete. Queria que fosse diferente. Talvez como a música que está tocando. Follow Me do disco Imaginary Day do Pat Metheny  é a música perfeita para retratar o que quero dizer. Esta música já inicia no meio de um compasso, o que recebe o nome de anacruse, acho que é este o nome.
     A vida poderia ser uma grande anacruse. Explico. Primeiramente tenho que tentar definir anacruse como a ausência de tempos no primeiro compasso de uma melodia. Não sou músico, por isso defino a anacruse de forma tão simplória e tosca. O que quero dizer com esta figura de linguagem é que seria mais fácil se a vida fosse em anacruse, ou seja, quando menos esperássemos já estaríamos vivendo, sem nenhum subterfúgio ou intróito. Não prepararíamos nada. Não desperdiçaríamo…