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Traficante de felicidade

     Um olhar distante.
     Um pensamento sem sentido. Passos rápidos em uma avenida qualquer de uma cidade caótica.
     Mais uma vez começo a escrever sem final certo, sem um script, sem direção, talvez seja este um resumo de tudo que vivo, vou simplesmente vivendo sem norte. Apenas uma digressão em meio a mais um texto com pouco ou nenhum sentido. Mas continuo esta empreitada solitária que é a escrita, ainda mais de um blogueiro neófito que escreve simplesmente para passar o tempo...mesmo que não seja lido. Atualmente até prefiro não ser lido e continuar a escrever textos sem sentido, pelo menos aparente, mas lá nas entrelinhas o sentido é claro, pelo menos assim espero.
     Aquele olhar distante por vezes te julga e condena. Hoje sai para ir ao banco e cruzei por algumas pessoas que simplesmente caminhavam pela rua, com olhares vagos e distantes. Fiquei pensando para onde todos estavam indo, o que direcionava aquelas pessoas. Que destino as esperava mais ali adiante. Talvez esta pergunta seja sobre o meu destino, talvez não. Senti claramente que todos estavam deixando o tempo fluir, sem nenhuma perspectiva. Em meio àquela multidão me questionei em como fazer para termos o destino em nossas mãos? Como impingir um outro rumo na trilha que estamos? Será que queremos ter o controle total de nossas vidas? Não sei, eu não quero ter o controle total da minha vida, até porque as minhas decisões não são as mais acertadas, mas não vem ao caso, pelo menos neste momento e neste texto. Já afirmei em outras oportunidades que não escreveria sobre mim, mas este blog inegavelmente é um tanto que autobiográfico demais. Voltando ao texto após mais uma digressão sem direção.
     Não é fácil manter o controle de nossas vidas. Esta é uma primeira e inegável conclusão. Entretanto, não definitiva. Em alguns momentos temos as rédeas de nossas vidas, mas somos obrigados a deixar um pouco soltas. Alguns seguram mais firme, tentam impor suas vontades, mas dia menos dia são obrigados a soltar um pouco. São obrigados a aliviarem estas imposições. O tempo, assim me parece,  enverga nossas vontades iniciais. Lembre da sua infância quando você desejava ser astronauta ou então um grande jogador de futebol. Acabou sendo bancário ou então servidor público. Na verdade pouco importa o que queríamos ser, importa sermos felizes em nossas decisões, mesmo quando elas não sejam as que faríamos ou desejávamos. Às vezes nos enganamos para sermos felizes. Em outros momentos nem precisamos nos enganar, pois as "decisões" impostas pela vida nos fazem realmente felizes.
     Este estado de felicidade é tão variável e por vezes tão rarefeito que, quando o experimentamos, queremos cada vez mais como se fora uma droga nova que temos um contato inicial. A bem da verdade esta comparação não é muito válida, pois droga podemos comprar e nos viciar e isto que chamamos felicidade não encontramos em alguma esquina, talvez vicie como uma droga. Pena que traficante não as vende... Caso contrário as bocas de venda de felicidade estariam lotadas... Como seria este tráfico? Qual seria a medida de venda. Bem que poderia ser "cara". A compra seria mais ou menos assim: "Velho, me dá uma "cara" de felicidade, mas não me venha com aquela palha que tu me vendeu na vez passada, me deu um repé tremendo, fiquei bem baixo astral". Talvez o Estado encampasse as bocas de venda de felicidade, com certeza a qualidade cairia...
     Mas deixando de lado esta fantasia de venda de felicidade, friso que a nossa felicidade depende de tantos fatores e por vezes perdemos o controle totalmente do que nos faz feliz... Pouca importa onde, com quem e por quê, o importante mesmo é tentar ser feliz, mesmo que tantos não se importem com a nossa felicidade... Detesto qualquer fórmula de felicidade ou então os livros de autoajuda com suas regras para se chegar a felicidade. Tenho certeza que a felicidade está em cada esquina, rua, avenida, casa, apartamento, enfim, esta em todo lugar, basta olharmos com os olhos certos... por isso uso óculos, para ver melhor a felicidade.

Trilha Sonora:
White Man In Hammersmith - The Clash - Rock 70´s
Bitter Sweet Symphony - The Verve - Rolling Stone Magazine's 500 Greatest Songs Of All Time
Dirty Day (Junk Day Mix) - U2 - The B-Sides 1990-2000
It's Only Rock N' Roll - The Rolling Stones - Live Licks
Mean Disposition - The Rolling Stones - Voodoo Lounge
She's So Cold - The Rolling Stones  - Emotional Rescue
Bring the Boys Back Home - Pink Floyd  - The Wall - Disc II
India - Michael Hedges - The Road To Return
Malibu - Lee Ritenour - Collection
Carry On Wayward Son - Kansas - The Best Of Kansas
Fire at Midnight - Jethro Tull - Songs From the Wood
Motherless Child - Eric Clapton - Greatest Hits - Vol II
Tempos Difíceis - Celso Blues Boy - Celso Blues Boy (VIVO)
Let It Be - The Beatles - Rolling Stone Magazine's 500 Greatest Songs Of All Time
Mateo Y Cabrera - Bajofondo TangoClub - Supervielle

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