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Liberdade de Expressão

     Liberdade de expressão é uma das maiores conquistas do ser humano. Ponto. Entretanto, não é ponto final.
     Li estarrecido que um casal colocou o nome de um de seus filhos Adolf Hitler e uma filha recebeu o nome Joycelyn Aryan Nation - Pais que deram a filhos nomes de "Adolf Hitler" e "Raça Ariana" lutam pela guarda das crianças. Os pais escolheram o nome de seus filhos livremente e alegam não desejarem fazer nenhuma apologia ou induzirem seus filhos a serem matadores ou racistas. Eles escolheram livremente o nome dos seus filhos e dizem que o Estado está intervindo em sua vida privada. Gritam a todos os lados que "Aqui é a América, onde dizem que é livre e você tem o direito de chamar seu filho como quiser". Será este um dos limites da liberdade?
     Qual é o limite da liberdade. Se é que existe este limitador. Anos atrás vivemos um episódio com uma editora que publicava livros contestando o Holocausto. Senão me engano o nome desta Editora era Revisão e foi obrigada a encerrar suas atividades. Os livros eram absurdamente deslocados da verdade. O Holocausto existiu e não tem como negarmos, até para não revivermos este fato deplorável na história da humanidade. Seria este outro limite da liberdade de pensamento? 
     Dois fatos que me fazem pensar sobre a liberdade de expressão. Liberdade esta que foi uma conquista do homem. Lutamos para viver um mundo onde pudéssemos expressar ideias, sentimentos, visões do mundo que nos cerca, enfim, lutamos para viver a liberdade de expressão. Não entro na análise dos casos pontuais relacionados no início deste texto. Quero, sim, pensar sobre os limites da liberdade. 
     Em primeiro lugar é claro que existem limites. Por exemplo, se alguém começa a divulgar ideias que levem a extinção da humanidade, estimulando o suicídio coletivo ou então assassinatos em massa. São ideias que se levadas ao extremo e que se divulgadas e assimiladas poderiam levar a extinção de nossa raça. Então, não é concebível que o Estado permita que sejamos levados ao nosso extermínio a bem de defender o direito de liberdade de expressão. Um bem maior, a vida se sobrepõe ao direito de expressão livre. A liberdade de expressão não pode ser exercida sem limites claros. Isto é um fato. Mas quem determina estes limites? Aí que reside a grande questão. Não pode ser determinado só pelo Estado, pois nos transformaríamos facilmente em fantoches deste Estado.
     A sociedade deve estabelecer limites ao exercício da liberdade de expressão. Somente anos de história como povo para sabermos até onde vai a nossa liberdade. Somente depois de vivermos tempos onde a liberdade é cerceada ou, então, após vivermos tempos de liberdade excessiva e sentirmos epidermicamente os seus efeitos. Tenho consciência que aprendemos quais são os limites da liberdade de expressão. Por exemplo, o caso do casal americano nos choca que pais coloquem os nome de seus filhos Adolf Hitler ou Joycelyn Aryan Nation. A todos, pelo menos penso assim, é cristalino que não devem ser mantidos estes nomes. A todos, pelo menos penso assim, é clara a ultrapassagem dos limites da liberdade do casal.
     No caso da Editora Revisão na Feira do Livro de Porto Alegre - Editora Revisão - Wikipédia - é outro fato a ser analisado sobre as luzes da liberdade de expressão. Antes de mais nada tenho convicção que o negar o Holocausto é um equívoco. Como afirmado anteriormente o Holocausto aconteceu, é fato e negá-lo é negar a história. Mas não permitir a possibilidade de se fazer esta negação é destruirmos as bases da liberdade de expressão. É atacarmos uma clausula pétrea de todas as sociedades modernas. Simples assim. O direito de expressão é o resultado da luta do ser humano. O Holocausto é um tema muito caro a nós, pois na segunda guerra vivemos a maior atrocidade cometida pelo ser humano. Matamos por cor de pele, matamos por raça, matamos por opção sexual, enfim, matamos bestialmente. E negar esta matança é tentar não aprender com o maior erro da história. É o mesmo que negar os Gulags Russos. É o mesmo que negar a escravatura. É o mesmo que negar a exclusão social provocada pelo capitalismo. É o mesmo que negar que o Socialismo real não deu certo. Mas não podemos nos calar quando estas ideias são impedidas de serem apresentadas, até para que nós façamos o nosso julgamento. Para ter este direito lutamos, para ter este direito muitos sucumbiram pelo caminho.  Você pode discordar de tudo que está escrito aqui, esta é a magia da liberdade de expressão. Então reflita sobre o que acabou de ler e ser for o caso coloque a sua opinião, exerça o seu direito de expressão... Por isso lutamos e por isso lutaremos até o fim.

Trilha sonora:
Hey Hey, My My (Into The Black) - Neil Young - Greatest Hits
We Will Rock You - Queen - Rock 70´s
Bee Gees - Too much heaven -  Rock 70´s
The Loco-Motion - Little Eva - Rolling Stone Magazine's 500 Greatest Songs Of All Time
Estrela, Estrela - Vitor Ramil - Tambong
Tie A Yellow Ribbon Round The Ole Oak Tree - Dawn - Rock 70´s
Where's The Walrus - The Alan Parsons Project - The Instrumental Works
Mysterious Ways (Solar Plexus Club Mix) - U2 - The B-Sides 1990-2000
Can't Stand Losing You - The Police - Message in a Box
Surrender - U2 - War (2008 Remaster)
Salome (Zooromancer Remix) - U2 - The B-Sides 1990-2000
Tempos Difíceis - Celso Blues Boy - Celso Blues Boy (VIVO)
Movin' On - Joe Satriani - Super Colossal

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