Pular para o conteúdo principal

O futuro de todos nós!

     Ao andar pelas ruas nada é como antes. Nem mesmo eu. Muito menos o que me cerca.
     Tudo em volta pulsa. A vida é esta constante mudança. Por vezes não a queremos, em outros momentos desejamos loucamente que tudo mude, inclusive nós mesmos.
     Ontem indo para o trabalho ao parar numa sinaleira, olhei ao largo e percebi que não conseguia mais ver o céu que há poucos dias sempre via naquele lugar. Um edifício surgiu no horizonte. E me perguntei: como não tinha notado aquela construção? Passo quase todos os dias da semana naquela rua e sempre estou com a cabeça em outro lugar, mas ontem quis ver o céu que sempre via naquele ponto da cidade e infelizmente ele não estava lá. Um edifício em construção surgiu entre mim e o céu. Este fato me fez refletir sobre o que fazemos de nossas vidas. O que deixamos passar nestes dias que vivemos.
     Deixamos para o amanhã nossos sonhos, vivemos pensando no futuro, preparando o tal futuro, esquecemos do presente. Estranho este viver para o futuro. A sociedade moderna nos infligiu esta pena. Sim, é uma penalidade só pensar no futuro, deixar de viver o presente para preparar o tal futuro. Por vezes ele não chega. A vida não é previsível, mas insistimos em preparar o futuro, deixando o presente em segundo plano. Por que vivemos assim? Não tenho dúvidas que isso é muito bem pensado.
     O sistema de controle social precisa que sejamos assim. Seremos mais suscetíveis a aceitar, por exemplo, péssimas condições de trabalho, salários de fome, moradias não dignas, governantes hipócritas, amores sem sentido, vida sem sentido, porque lá no futuro teremos nossa redenção. Aceitamos tudo que é inaceitável para gozar no final, para gozar no futuro. Mas às vezes o futuro não é aquele sonhado no presente, por vezes quando chegamos no "momento" de apreciar a vida, descobrimos que deveríamos ter vivido a vida e não deixado para quando o futuro chegasse. Quero apenas viver, sem esperar muito do futuro, quero que o presente seja o meu futuro, quero viver o presente como se o futuro tivesse o papel que deve ter, ou seja, ser uma simples consequência deste presente, das ações do presente e somente isso, nada mais do que isso. Não quero que o meu futuro seja o momento em que irei ser feliz, quero ser feliz agora, quero ser feliz hoje, amanhã e naquele futuro que todos nós acreditamos existir. Não posso deixar para o amanhã o que devo fazer hoje.
     Ao tentar olhar um pedaço do céu, notei que não podemos deixar para amanhã o que podemos fazer hoje. Todos já percebemos que estamos inseridos num mundo que nos obriga a preparar o futuro, precisamos trabalhar de sol a sol para economizarmos nossos minguados tostões, comprar uma casa, ter uma poupança para alguma emergência, enfim, temos que entrar no sistema e fazer parte desta vida escravizante. Com a promessa de que no futuro seremos agraciados com um pedaço do paraíso. Não quero este paraíso prometido para um dia qualquer lá adiante, quero o meu pedaço do paraíso hoje, não irei mais deixar para o amanhã a minha felicidade, quero o meu quinhão agora. Não gosto de verdades absolutas, esta é apenas a minha verdade e é a verdade deste momento, pode ser que amanhã já não seja mais.
     
Trilha sonora
 Lucky Man (California Jam Festival 1974) - Emerson Lake And Palmer - Beyond In The Beginning
City Of Delusion - Muse - Black Holes And Revelations (Japanese Release)
Roll Yer Own - Jethro Tull - Catfish Rising
Sweet Sahumerio - Soda Stereo - Dynamo
Country Road - James Taylor - Greatest Hits
Let Me Go Rock & Roll - Kiss - Led Music
Fix You - Coldplay - Left Right Left Right Left - Live
Synchronicity II - The Police - Message in a Box
Truth Hits Everybody [Live] - The Police - Message in a Box
Viento Del Arena - Gipsy Kings - Mosaique
Tanto Faz - Jota Quest - MTV Ao Vivo
Old Brown Shoe - The Beatles - Past Masters, Vol. 2
 Hush -  Deep Purple - Clássicos - Rock 500
Ramblin Man - Allman Brothers Band - Rock 70´s


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os conflitos de Lucas

- Hoje você me disse que tudo estava acabado. Mas estamos aqui neste motel.
     - Não retiro o que te disse. Estar aqui é mais uma prova que o nosso amor acabou e que o único lugar onde ele ainda pulsa é aqui. O que é uma pena.
     - Mas ainda tem um lugar onde somos felizes.
     - Tu acha que felicidade é isso que vivemos? Se tu acha que isto aqui é felicidade, tenho que te dizer que você nunca foi feliz...
     - Eu aqui nos teus braços sou a mulher mais feliz deste mundo e isto é felicidade para mim.
     - Pois eu queria algo mais.
     - Lucas, tu é o primeiro homem que me diz isso, talvez por isso você seja tão especial.
     - Não sou especial, apenas quero ser feliz e formar uma família. Só isso, será que é pedir demais?
     - Com certeza para uma mulher como eu é pedir demais... Nem meu nome tu sabe. Só meu nome de guerra.
     - Como assim, tu não se chama Sharon?
     - Claro que não. Meu nome é comum e não combina com o que faço.
     - Então se revele, pelo menos…

"Como fazer sexo"

O Google a cada ano nos revela as trends, em nosso amado português podemos traduzi-lo como tendências. Ou no português mais nosso ainda são os termos mais pesquisados no ano. É interessante dar uma olhada para vermos como somos fúteis. No Brasil para se ter uma ideia o termo mais pesquisado foi o BBB13. Estamos reduzidos a quase nada. Ou um nada completo.
     Mas o que mais me chamou a atenção foi um o tal tópico de "Como fazer". São todas as pesquisas com tem como intenção descobrir como fazer determinada coisa e pasmem está em quarto lugar a pesquisa "como fazer sexo". Não acreditam, então acessem o link: Trends: Como fazer sexo. Fico imaginando a pessoa "googleando" antes daquela noite (manhã ou tarde) de sexo. "Já sei como fazer, mas quero dar uma recordada, hoje promete e não quero decepcionar". É o fim da várzea.
      Eu sei que o google faz parte da nossa vida, não nos vemos sem esta ferramenta dos tempos modernos, mas pesquisar c…

Vida em anacruse

Já escrevi vários inícios. Muitos refeitos ou deletados.
     Tentativas vãs. Ou melhor, tentativas desfeitas, mas não vãs, pois todas, absolutamente todas me ensinaram alguma coisa. Na verdade pouco importa, porque a cada início tudo se repete. Queria que fosse diferente. Talvez como a música que está tocando. Follow Me do disco Imaginary Day do Pat Metheny  é a música perfeita para retratar o que quero dizer. Esta música já inicia no meio de um compasso, o que recebe o nome de anacruse, acho que é este o nome.
     A vida poderia ser uma grande anacruse. Explico. Primeiramente tenho que tentar definir anacruse como a ausência de tempos no primeiro compasso de uma melodia. Não sou músico, por isso defino a anacruse de forma tão simplória e tosca. O que quero dizer com esta figura de linguagem é que seria mais fácil se a vida fosse em anacruse, ou seja, quando menos esperássemos já estaríamos vivendo, sem nenhum subterfúgio ou intróito. Não prepararíamos nada. Não desperdiçaríamo…