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En la Ciudad de la Furia

     Parece que para viver o ser humano tem que se isolar numa espécie de bolha protetora. Não podemos ter contato com o nosso semelhante, pois talvez ele nos faça mal. Que vida essa nossa. Nos trancamos por trás de muros e cercas eletrificadas, colocamos seguranças particulares, criamos um cem números de formas de isolamento. Mas, inevitavelmente, de tempos em tempos a vida real bate à nossa porta e não tem como fecharmos os olhos para tudo que nos cerca.  Podemos até tentar, mas quando abrimos os olhos a dura realidade apresenta a sua face mais terrível. A miséria, a violência e a desigualdade social são algumas faces desta realidade.
     Os acontecimentos em Londres nesta semana é a vida real mostrando a sua face. Os detentores do poder ignoram a voz rouca das ruas. Estes mesmos governantes vendem a ideia de que vivemos em um mundo ideal, onde as oportunidades estão aí e quem não esta dentro deste ciclo de fartura é incompetente. Será? Será mesmo que só os incompetentes são excluídos da festa do consumo ou de uma vida confortável? Será que o sistema econômico dominante permite acesso à riqueza a todos os seus integrantes? Claro que não. Quem responde o contrário, das duas uma, ou é um completo alienado ou então está do outro lado do balcão e quer manter a sua posição social, pois vive nababescamente e não quer compartilhar o que tem.
     Até quando iremos suportar esta vida de mentiras ou exclusões? A luta por mudanças é inerente a todos nós, o ser humano quer mudanças e podemos ver na história da humanidade esta característica. Mas tenho a impressão que a partir dos anos 1990, com o esfacelamento da experiência socialista do Leste Europeu e a consequente hegemonia do liberalismo econômico, o ser humano deixou de questionar, deixou de sonhar com um mundo diferente. A imposição de um pensamento único nos acomodou. Todos nós trocamos nossos sonhos por um punhado de migalhas. O liberalismo criou esta geração de yuppies que só pensa em se dar bem e no seu bem estar.
     Quando havia a dicotomia de pensamentos econômicos, o capitalismo se continha, pois bem ou mal havia uma "competição" entre os dois sistemas econômicos/políticos. Quando aquela espécie de freio do capitalismo feneceu este se viu livre para aplicar suas doutrinas mais injustas.
     O capitalismo que estamos vivendo na atualidade é o exemplo mais perfeito de o que não devemos fazer. Francis Fukuyama afirmou que tínhamos chegado ao Fim da História com a queda do Socialismo, reverenciando o liberalismo econômico como a única forma de atendimento das necessidades humanas. Infelizmente Fukuyama estava errado. Muito errado para dizer a verdade. As necessidades de todos nós não estão e não serão atendidas por este capitalismo.
     O que vemos na realidade é o oposto do que foi propagado por Fukuyama. Nem as necessidade básicas são atendidas, estamos vivenciando uma acumulação de capital nas mãos de poucas pessoas sem precedentes na história da humanidade. E olha que o ser humano viveu a fase dos Faraós e Reis que acumulavam muita riqueza em seus domínios.
     Ao olhar estes conflitos em Londres tenho a convicção de que todos os atos são consequências deste sistema hegemônico. Os oprimidos e excluídos estão cobrando a conta. Estão reivindicando a sua parte do bolo. Estão dando um basta às migalhas. Claro que o sistema irá reprimir exemplarmente este movimento. Usará de todos os meios imagináveis para transformar estes insatisfeitos em bandidos da pior espécie. Após estes tumultos todos voltarão às suas vidas normais, às suas formas de sobrevivência. Até que em alguma momento a rebelião seja incontrolável. Este momento parece próximo, tão próximo que podemos sentir a insatisfação ao nosso lado. Me pergunto por que aqui no Brasil estamos tão comportados?
      A resposta é clara. Aqui os meios repressores são os mais violentos possíveis. E ainda por cima nos venderam a ideia de que somos um povo pacífico. Nos dão um domingo com um churrasco na laje, regado a cerveja, embalado por algum pagode e seguimos como cordeirinhos aceitando tudo que nos impõem. Não somos pacíficos coisa nenhuma, somos medrosos e acomodados. Se fossemos um pouco indignados já teríamos dado um jeito nesta pseudo elite brasileira que só sabe roubar o Estado e explorar todos nós. Espero que deixemos de lado este nosso comodismo e saiamos às ruas para dar um basta em toda esta exploração. Mas no caso brasileiro ainda estamos longe de deixarmos nossas cômodas rotinas. Quem sabe se um dia proibirem pagode com churrasco implementemos as condições para o rompimento deste comodismo que beira a apatia. Quem sabe...

Trilha sonora:
Double Talkin' Jive - Guns N' Roses - Use Your Illusion I
Sirius (Instrumental) - The Alan Parsons Project - Eye In The Sky
Dancing in the Street - David Bowie/Mick Jagger - Singles Collection, Vol. 2
Drunk Chicken - America - U2 - The Joshua Tree (Bonus Audio CD)
Pride (In The Name Of Love) - U2 - The Best Of 1980-1990
Viva La Vida - Coldplay - Left Right Left Right Left - Live
En La Ciudad De La Furia (Dance Mix) - Soda Stereo - Zona De Promesas (Mixes 1984-1993)
Back On The Streets - Gary Moore -  We Want Moore! (Digital Remaster)
As Tears Go By - The Rolling Stones - Singles Collection - The London Years (Disc 1)

Comentários

  1. Exoman says:

    Recomendo assistir o filme CAPITALISMO: UMA HISTÓRIA DE AMOR do Michael Moore.

    http://www.youtube.com/watch?v=g0ZSVnBgYG8&feature=grec_index

    C.E.O: 'Chief Executive Officer', nomeclatura anglófona para o nosso popular "mandachuva".

    Trilha sonora:http://www.youtube.com/watch?v=fm7ntyycGbU

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