Pular para o conteúdo principal

Um homem em busca de esperança

     Me surpreende as contribuições que começo a receber. Hoje recebi um texto de quem somente conheço neste mundo virtual. Este leitor é de São Paulo e a sua contribuição é cheia de um sentimento próprio dos grandes centros. Ao ler senti uma certa tristeza, mas na verdade é um texto realista... Obrigado Ernesto José Dumas.

Por Ernesto José Dumas     


     O sol se põe. Com ele a esperança se vai... A esperança de um dia melhor se perde neste pôr do sol. Por que insistimos em ter este sentimento. Por que nos enganamos em esperar um dia melhor que teima em não vir.
     Sempre nos enganamos com este sentimento chamado esperança. Ou quem sabe a esperança seja uma droga natural, criada para nos manter vivos.
     Hoje ao passar em frente a um destes templos vi um grupo de pessoas saindo de lá, pareciam abençoadas pelo Senhor, talvez estivessem esperançosas de uma vida melhor. Gostaria de ter cruzado com elas antes de entrarem naquele templo. Será que elas são como eu, desesperançosas. Será que lá dentro são distribuídas doses de esperanças? Se for isso, acho que no sábado que vem estarei lá para receber o meu quinhão...
      Pena que não é tão simples assim, se fosse, eu que sou tão desesperançoso já teria entrado em alguma desta seitas. Eu procuro durante toda a minha vida esta esperança que muitos dizem possuir. Gostaria de ter esperanças do surgimento de um mundo melhor. Sempre sou invadido por este sentimento de total descrença em nossa querida humanidade. Não que isso afete minha vida, continuo minha história de vida, mas totalmente descrente num futuro promissor para o conjunto da população. De uma forma egoísta penso em mim e de quem está próximo de mim, não quero mais mudar o mundo, pois tenho certeza de que este não tem mais solução.
     Me incomodava pensar somente em mim. Me incomodava a minha omissão em tentar mudar o mundo. Olhava para trás e queria encontrar de novo aquele menino que tinha todas as soluções para os problemas do mundo, aquele jovem que tinha nos olhos a certeza da mudança. Hoje ao me olhar no espelho somente vejo um senhor que foi cooptado pelo sistema. Um homem que deixou de lado seus sonhos para viver uma vida sem compromissos sociais. Sem atuação na mudança. Claramente a vida vergou este cara que aparece refletido no espelho. É com tristeza que vejo o jazigo daquele menino que iria mudar o mundo...
     O menino deu lugar ao homem que tem suas responsabilidades, que somente faz o seu melhor, que contribui para a mudança, mas não faz parte da mudança. É dura esta constatação mas ela é necessária, faz parte da procura da tão sonhada esperança.
     Já é noite escura lá fora, a cidade pulsa, ouço vozes ao fundo, são bêbados voltando de alguma festa, parecem estar depredando alguma coisa. Imediatamente me pergunto. Como ter esperança?
     Mas por incrível que pareça sou invadido por um sentimento muito forte, será que é esperança... Adormeço em frente do computador... era somente sono.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ocaso!

    Faz muito tempo que não entro aqui para escrever. Aliás, faz muito tempo que não acesso o blog. Ele está em um processo de hibernação. Quase uma vida mantida por aparelhos.     O motivo? Talvez o ocaso do LedVenture esteja próximo. Gosto da palavra ocaso. Penso em um caso qualquer, uma história qualquer que será contada. É o tipo de palavra que o som te carrega a muitos lugares e situações. Mas voltado desta pequena digressão, o LedVenture sempre foi um personagem vivido por este blogueiro neófito. Um personagem que por breves momentos adquiriu vida própria. Um personagem que ultrapassou os limites da ficção e viveu algumas experiências muito interessantes. Outras nem tanto.      Cruzam ambulâncias aqui perto, correndo não sei para onde, talvez para acudir este blogueiro, talvez não... As ambulâncias passarem e a vida volta ao normal por aqui, não me acudiram. Parece que não foram chamadas para me atender.  Na verdade não prec...

Somos 99%

     Somos uma parcela significativa de qualquer sociedade. Somos os 99%. Apesar de sermos a imensa maioria, ainda assim somos excluídos de quase tudo. Somos chamados somente quando os detentores das riquezas, os outros 1%, precisam de nossos sacrifícios.      Como é possível que uma sociedade, com alicerces tão frágeis, fique de pé por tanto tempo? Não tenho a resposta. Entretanto, sinto que algo está mudando e muito rapidamente. Esta sociedade injusta já não está mais tão firme e começa a ser questionada. Nos últimos meses estamos acompanhando vários movimentos sociais espraidos pelo mundo. É a voz dos 99% se fazendo ouvir. Estamos cansados de sacrifícios intermináveis. E sempre dos mesmos para os mesmos. Nunca são chamados os detentores da riqueza. Um porcento da população nunca se sacrifica, mas quando aparece alguma dificuldade, criada pela ganância deles, colocam de lado suas convicções e imploram ajuda dos governos. Estes governos que sempre foram...

A casa não vai cair...

     Um amigo, aliás, um ótimo amigo escreveu algo que me fez pensar: "... enquanto nos perdemos nos detalhes, contando, classificando... a vida passa e a casa vai caindo, pouco a pouco."      Este amigo em poucas palavras me mostrou o que somos, ou melhor, no que nos transformamos.      Parece que deixamos de lado o quadro para prestarmos atenção na moldura, sabemos tudo sobre este detalhe, o ano da fabricação da madeira, o tipo e forma do corte, esquecemos de olhar o quadro em si. Fechamos os olhos para a pintura...      No início o não entendi, pois o simples nos é tão difícil de entender, sempre estamos  querendo transformar esta simplicidade em algo complexo. Mas esta simplicidade quando nos é revelada nos abre olhos, enxergamos além da moldura, passamos a ver o conteúdo do quadro; nos surpreendemos com o que surge aos nossos incrédulos olhos.      Parece que somos criados para somente fazermos part...